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quinta-feira, 23 de julho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Anoitecer III

Da minha casa apanho disto... eu sei que ele fazia anos nesse dia,
conheço-o de andar aí pelos bares e restaurantes a vender postais,
cantava nessa noite, celebrava o dia de anos aos berros,
de afirmação, de revolta, e só.
Eram duas ou três da manhã.
Este post poderia ser o último de uma trilogia sobre o tema 'Anoitecer nas ruas da cidade'. Aliás, é.
Decidí agora.
Porque o anoitecer é o limbo recheado de expectativas
e o berço de satisfação e desilusão.
conheço-o de andar aí pelos bares e restaurantes a vender postais,
cantava nessa noite, celebrava o dia de anos aos berros,
de afirmação, de revolta, e só.
Eram duas ou três da manhã.
Este post poderia ser o último de uma trilogia sobre o tema 'Anoitecer nas ruas da cidade'. Aliás, é.
Decidí agora.
Porque o anoitecer é o limbo recheado de expectativas
e o berço de satisfação e desilusão.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Anoitecer
Contra o desafio deste mês, de qual só me ficou a ideia do anoitecer - na cidade.Afinal não é na cidade, mas nas ruas da cidade. Falhei no tema, mas a imagem fica na mesma. Porque as pessoas vão à rua vindo de casa, quando vão.
Surgiu -me este rabisco feito já há alguns anos.
À propósito daquele azul a preambular a noite desejada,
bem acompanhada por um encontro inesperado.
O azul do consolo.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Déjà Vu
Quando ocorre, foge logo. Não se enquadra em razão nem no apontar do dedo.A ciência desemboca na aceitação vagorosa. Talvez a antecipação nas artes marciais seja o Déjá Vu induzido e aplicado. Talvez a razão de eu estar em Portugal tenha a ver com o aroma de uma sopa em Angola.
Há os que são fulgurantes como uma flashada de polaroid, mas há-los lentos e insinuantes também. Têm outro nome, então.
Não me lembro do último - tipo relâmpago. Deve estar na sua natureza, esvanecer-se sem rasto.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Escavar


Quanto mais poderosas as ferramentas, tanto mais entulho há de remover. Algumas obras são embargadas pelo caminho, outras são limpas por lágrimas. Umas mantêm a fachada, reforçada com vigas de ferro, contornam a casinha da avó, descuram a arqueologia. Por vezes, porém, uma obra cava um poço ao centro da terra em forma de funil, e no fundo espera o leão das formigas. O fio de Ariadne pode ter a grossura de um braço estendido.
Arrisca-se tudo, e de olhos abertos. Depois se poderá dizer com orgulho: 'já estive lá.'
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
...Rreia
Nú Ausente

Como é ? As conversas são como viagens, que nos sentimos despidos e refrescados? Ficaram pelo caminho os disfarces convenientes? Será que nos excedemos, que a manhã seguinte nos acorda com tiros de aviso? Caímos em nós de novo, ou caíamos em nós na noite anterior e acordamos para o disfarce que se fez segunda pele? Vestimos a pose ou somos a pose? O que somos sem pose?
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Rituais

Não, não pertenço a nenhuma 'tribe', o 'trance' ainda tem outras conotações para mim, nem nunca fui muito aderente a não ser a título individual. Observo com alguma consternação a proliferação de técnicas e caminhos para o encontro com o 'eu', que proclamem de tirar de cada via tradicional apenas os aspectos positivos, não limitativos, adequados ao estilo de vida contemporâneo. Promovem o caminho adocicado, enjoativo, anti-sacrificante, e 'light' para o encontro da 'essência' em nós.
Há uns tempos fui visitante de uma feira da vida alternativa... Creio que as únicas pessoas descontraídas que observei, foram duas meninas lindíssimas logo à entrada a distribuir mini-embalagens gratuitas de uns cereais-fibras-adelgaçantes quaisquer que elas certamente não necessitavam ( nem perdiam nada porque não necessitavam de vender nada), e alguns poucos feirantes que se indulgavam mutuamente mediante Shiatsus e leituras de auras. De resto, a ânsia da venda da banha pairava no recinto como uma neblina espessa como chumbo. Fiquei triste, porque o caminho, sei, não é esse. Não vale pena brincar com bolas perfumadas, segurar cristais, adorar símbolos. Podemos tê-los todos só por nós, num ritual íntimo e alicerçado numa nossa história íntima e crescida, mas não há ninguém que me convença de símbolos alheios.
Eu até sou um gajo algo metafísico, acredito que a metafísica seja o motor da evolução humana. A inspiração que alterou o percurso do pensar foi sempre compreendida como divina e inexplicável. O acto da criação , no momento do impulso, foi sempre testemunhado como sublime e de indução alheia. Ser-se veículo matérico de uma ideia inspiradora é, é, é uma experiência de humilde aceitação de vontade alheia. A ideia não é propriedade nossa. Soa mal? Só para quem nunca experimentou. Ter o privilégio de ser mão executante do 'Algurém' é recompensador em sí.
Tanto mais me choca a desbaratação da experiência genuina. Essa, sempre, sempre, exige sacrifício. Reflexão, aprendizagem, ajustamentos, estudos, abdicações, dedicação. Posso não estar aí por opção. Desprezo tudo que seja 'light'. Prefiro não ir. Nem ingiro 'light'. Sabe a artificial, a negócio, a bolas perfumadas e cânticos de balela. Essas, de baleia, já são outra coisa. Não misturem coisas que já existem há séculos e milénios.
E já chega de sermões. Fico na minha, a planar por aí e observar sem querer.
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
What Else ? What Blue ?
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
O Espinho Dourado


Bastou rodar sobre o calcanhar para tirar as duas fotos. Mas não haja neste país pessoas competentes? Os dinheiros do POLIS não seriam empregues melhor? Terá de ser um TGV num sítio onde, mesmo assim, ainda 'apita o combóio' ? Qual é o prazer de se escolher uma esplanada particular, pelo ambiente que transmite, se todas forem submetidos a devassaladora força igualizante de uma suposta maioria, e onde nem os letreiros dos nomes dos estabelecimentos podem diferir uns dos outros? Isto não serve as pessoas, apenas serve para facilitar o trabalho a ASAE. Parabéns a visão camarária de Almada.
E já agora: Porque é que insistem em construir pontões e bombear areia para as práias? Não é certamente por acaso que logo a seguir dos pontões serem alterados, que as dunas abriram a brecha e o mar inundou os parques. Enquanto qualquer um pode passear livremente pelas dunas e em cada vez que o faça levar quarenta quilos de areia atrás de si para baixo, não há duna que resista. Depois as mesmas pessoas queixam-se. Chamam os Holandeses! Há décadas que sabem que os pontões não resolvem esse tipo de problema. Bastam estacas de madeira e entrelaçado de vimes ou...no caso de Portugal, casca de Eucalipto que sempre fica a apodrecer no chão depois do abate. Isso não altera as correntes, e retêm a areia. Precisa de manutenção? Claro que precisa, mas e a areia que tem de ser reposta todos os anos? Isso não é manutenção? Não, isso são 'obras' que dão dinheirinho a ganhar a ALGUÉM!
O resto do dinheiro do POLIS iria para a educação das pessoas e a restauração e melhoramento dos bares da práia, com pleno respeito pelas normas da A'SS'AE, mas conservando o colorido local e os materiais...ah pois, A -'SS'- (AE) não permite madeira, hmm...curioso, as caixas de sapatos lá do outro lado são de quê? Oh!, é madeira...
...Tristezas profundas de um Imigrante...
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
sábado, 9 de agosto de 2008
No Fundo
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Natureza (das coisas)

Está cá há quê...500 anos? Talvez 700?...Não, não penso, talvez apenas há 300.
Aproximo-me.
Com frequência, mesmo do outro lado, costumo aliviar as águas, também pelo gozo que dá.
A minha interferência para a foto é mínima. Nem faz falta por aí além. É apenas um pequeno ajuste que desaparecerá em breve. Não deixa marca. Não deixo marca.
Volto as costas para continuar a trabalhar...
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segunda-feira, 28 de julho de 2008
Luzar

Enquanto que uma pessoa não se veste para o dia, encara a noite despida.
A sós, ou com amigos, amantes, ou queridas de sempre, para sempre, como se reza.
A Lua se faz acompanhar, ainda não do Marte Guerreiro, e certamente não da Vénus velada, talvez de um Júpiter em tempestade, ou de um Saturno conflituoso,...para colorir a prata lunar a derramar-se sobre o rio sonhado.
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terça-feira, 15 de julho de 2008
O Nome no Passeio
Adoro montras.Daquelas do comércio tradicional, do bairro sem ser alto, que nos atende, com sorte, com um sorriso de verdade, um comentário sobre a vizinhança ou o tempo, ou o estado da nação. Depois, também queremos qualquer coisa por sermos cliente que entrou pela porta com um objectivo específico. A cidade já é tanto de cortes no Ideal, já tanto de rudimento de boas intenções, já tanto de cedências convenientes,...que uma pessoa se refugia no meio pequeno para se sentir 'em casa', 'no bairro' que é a casa estendida e que vive da mão estendida e de fricções de empatia, da antipatia. Mas a emoção tem destino, bom ou mau, dirige-se a uma 'pessoa'. Tem face.
Comecei com uma ideia e acabei com outra. E pronto, não é grave, vim da tasca da rua de cima.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Carne II
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Passagem Subterrânea

Eu sei, nada é novo. A sucessão é infinita. E uma pessoa esgueira-se por entre camadas do pretenso novo, passado após um dia, sem confirmação da fonte, da presença pessoal, do olhar directo. Somos rasgados pelo não estar, na altura, à altura, e do conhecer. O desfile da efémera actualidade dilacera o aconchego. Somos velhos antes do acordar da festa. Renascemos na madrugada do conhecimento. A luz cá em cima é mais suave e queima a retina quando se fecha os olhos.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Achado

O pátio desta tasca recorda-me sempre o mesmo, de que a vida imita a arte, e não ao contrário. Mas claro está que não é assim linear e chapado. A arte bebe na vida, sorve a, destila e digere o que encontrou, transforma e devolve mais limpo e apurado, de forma que a vida já se pode espelhar na obra e ficar toda vaidosa.
Olho para este cantinho formidavelmente rico, e lembro-me de um Cabrita Reis, ou outros seus semelhantes, que lhe descobriram noutros lugares e noutros contextos a essência e o dizer mudo.
Particularmente aqui, espanta-me a genuína força criativa anónima, o impulso da originalidade a rebentar por entre o não saber como e o desgaste do dia, como se fosse uma erva a crescer de uma racha no alcatrão. Nesta frente de altar, ou balcão, não há polimento, nem arestas limadas. Apenas um plano geral e muita improvisação. A liberdade tomada de assalto pela surpresa. O pensar direito sucumbiu com um riso feliz.
Deve ter sido depois, que vieram outras necessidades de função. Impuseram-se os acrescentos sucessivos, os materiais de recurso, o ajeitar e anichar no espaço possível, até que 'a coisa' cresceu para corpo autónomo dentro de outro corpo, enigmático e quase desagregado.
O vinho é de jarro, a comida caseira, e a simpatia é de contenção agradável.
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