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sábado, 20 de junho de 2009

Dias


Eu gosto da noite, mas gosto bastante mais do dia.
Gosto da luz desta cidade, do rosa findado, do ar cintilante.
Deixo-me levar pela luz para noite adentro.
A transição é um estado de alma.
Desliza amenamente pelas calçadas até desembocar no reflexo das fachadas, douradas, preciosas, vidradas, e sem deixar a alma enegrecer-se.

sábado, 23 de maio de 2009

Catedral

Enquanto que a casa tem os cantos escuros, o gesto humano tem lugar.
Fazemos o lugar assim, colorido e a tapar; o lar fingido, o ser tingido, a liberdade atrás de uma esquina colorida.

Enquanto o olhar é do centro para fora, fugimos.
O passo para trás faz a desconstrução, e um olhar de fora.
Desconcertar o quadro de sempre.
Enriquecer.
Cair de joelhos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Little House


Já há algum tempo rondo esta construção mental, até já me parece ter sido pela vida toda.

Porque as 4 paredes não chegam, porque a utopia também se veste do imprevisível, do apenas visível de outro ponto de vista, de outra incidência de luz, de outra distância.
Por enquanto parece um brinquedo. É caseiro, ainda em múltipla construção íntima, e não está habitado - o que é um contra-senso, sei. As construções mentais têm essa (pequena) falha.

Depois, a matéria não deixa... impõe as regras que o espaço ocupado por ela dita. Só se contorna, estando do lado de fora. Cá estamos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Visitas



Fui mostrar as redondezas a uns amigos de visita...
Adoro o sítio, tão perto, tão fora, tão real...

Come-se bem

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ícaro Anónimo


Ir e voltar, o reviver de todos os dias, imperceptível na sua suave corrosão?
O lento desbaste das arestas aguçadas, moagem demorada do juízo até caber...

...ou não.

domingo, 5 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Cool Blood

Nos últimos tempos assiste-se de novo a uma imagética, diluente do plano do suporte da imagem. Isto quer dizer: Não basta iludir o observador com trompe-l'oeil's de um espaço fingido, mas enquanto espaço sugerido, ele assume-se como plano pictórico.
Não há fingimento de outra coisa senão o da superfície única. A ilusão está no espaço que se finge plano e linear.
É a superfície que se dissimula: num espaço de múltiplos layers, no espaço urbano que nos assalta através de montras, placares, ecrãs, fachadas, telas de fachadas em reconstrução, vidros espelhantes, e passagens entre volumes.
A visão da cidade, a sua vivência, é um ecrã de computador com muitas janelas abertas, e com a simultaneidade assumida.
O percursor desta percepção foi sem dúvida para mim M.C.Escher, lithógrafo e desenhador holandês e que morreu em 1972. Todos conhecemos os seus trabalhos, sem saber já de onde vieram.
Fizeram o chão que pisamos: a escada em subida eterna quadrangular, a queda de água auto-alimentante, as mãos que se desenham mutuamente, as metamorfóses em tapetes padronizados - nos quais
até se inspirou o matemático Walter Penrose na elaboração dos padrões de enchimento de planos (infinitos)...ou foi vice-versa?
A sua constante interrogação da fronteira entre a realidade e a sua representação, das contradicções daí decorrentes, e da subtil pergunta em qual delas existimos, faz de nós actores - vagueando entre animal condicionado e ser pensante.
Em - quase - última análise, o que está em causa é a relação entre a imagem artificializada que projectamos de nós, e o âmago do nosso ser despido.

sábado, 28 de março de 2009

Ó-Chá-Alfama

Tive a gratificante experiência, de poder elaborar uma pintura mural neste estabelecimento que inaugurou muito recentemente. Gratificante por ter nascido de um diálogo amigável e de atitudes convergentes, mantendo a autonomia de acção.
O resultado é um enlace entre funcionalidades e conceitos: a união do Oriente com a Alfama num ambiente ao que eu chamo de 'cosy-chill', na falta de melhor palavra.

Ponto de encontro ameno.

domingo, 15 de março de 2009

Existem novos posts no blog do lado
para complementar a visita.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Urbanoplasma (Ver uma vez Arte Pin-Pop...)




































Imagens para ir passear - nelas. Passamos por elas,
sem penetrar ...

São o que nos marca: a cidade em layers múltiplos, o novo sobre o velho, a realidade parcial sobre a obra para durar, a fugacidade sobre a estética de fundo. Resta o que sobra do vento radical. Sobram farrapos de papel, palavras soltas mas unidas num contexto novo promovido pelo acaso; ...colados à vitrificação do querer fazer bonito.
Berrar ao vento.
Dizer ar quente.

A celusose dissolve-se à chuva, e vomita a palavra mutilada, lida - partindo do futuro.

E mesmo assim ... até assim: da amálgama destila o sentido.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Escavar























Quanto mais poderosas as ferramentas, tanto mais entulho há de remover. Algumas obras são embargadas pelo caminho, outras são limpas por lágrimas. Umas mantêm a fachada, reforçada com vigas de ferro, contornam a casinha da avó, descuram a arqueologia. Por vezes, porém, uma obra cava um poço ao centro da terra em forma de funil, e no fundo espera o leão das formigas.
O fio de Ariadne pode ter a grossura de um braço estendido.
Arrisca-se tudo, e de olhos abertos. Depois se poderá dizer com orgulho: 'já estive lá.'

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fugaz
























Uns 7 segundos enquanto alguém tira uma fotografia, algures, num tempo perdido de inexperiência genuína. Conservo o momento como documento fugaz da nudez. Já despi, de então para hoje, os anos de conceitos rebuscados de teorias longínquas.
Faz-se o círculo.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Dança Energética

















Fundimo-nos. Só nas extremidades.

Diferenciamo-nos como rasgos no tecido espacial.

A nossa volta somos ondulatórios.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Pobre Essência

A solidão tem forma e cor. Não digo que não seja rica e bela, mas a nossa bolha de sabão em que se resguarda a nossa realidade pessoal é apenas um útero de onde nascer.

sábado, 1 de novembro de 2008

A Bomba Silenciosa






















Começo a duvidar do poder sugestivo das imagens. Parece-me que já apenas conta a 'catch-frase' do dia, o 'slogan' certeiro, a novela com 'pinta'. O tempo não é o meu, o ritmo desacertou-se do meu relógio interno, as filosofias são de consumo imediato por surgir uma nova amanhã, mais 'in', mais ajustada ao querer já e à baba umbilical. O tempo foge, parece, mas somos quem foge ao tempo. Farto-me da saliva dos outros, farto-me e demoro o meu tempo, que acho justo, adequado, respeitador do assunto.
Existem imagens onde se vai passear, de modo languido, sem pressa nem destino, onde o sorver devagar é como espreguiçar-se ao pôr-de-sol.
Reclamo o tempo passivo. Exijo a atenção ao pormenor, á inteligência intuitiva, à disponibilidade do olhar devagar, ao deixar sedimentar.
Abomino a imagem 'tchã..', que se revela no segundo publicitário, porque não há tempo para mais.
Libertem-se... do jugo do já. Serão peões no jogo do já. Paguem. Caro. Com fôlego curto.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sinuosas
















Mas quem é que está imune? Já o Ulisses teve o seu calvário, safou-se à custo, e fez-se herói também por isso (entre outras façanhas de índole inteligente). Somos heróis? Teremos de ser?
Sim!
Porque há empatia, e respeito, e porque só a paixão sentida no âmago perdoa o desvio do amor.
Porque a paixão é o motor da vida e o amor é o pilar da vida.