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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Those Missing Tools


Na continuação do anterior...

domingo, 12 de julho de 2009

Doom

Os anjos de manganésio fervido descem sobre a cidade.
A chuva de cobalto salpica a vista desarmada.
O chumbo infiltrou-se no chão de asfalto.
O pôr-de-sol deslumbra...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Carta Perdida

Por tudo que queria dizer,
e onde as palavras seriam apenas a marcação de limites.
Por tudo que transcende a construção artificiosa.
Por tudo que eu te queria fazer sentir.

Pensava fazer uma diferença.

sábado, 27 de junho de 2009

Clandestino

Abaixo do solo...haverá vida, e só fará sentido com uma luz ao fundo do túnel? Certamente é berço do rebento.
As subculturas aspiram a luz também?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ícones

Portugal aos Pequeninos...Os ícones de então, em BD autóctone,
o que distingue as cidades umas das outras?

domingo, 14 de junho de 2009

Anoitecer II


A ordem inverte-se ao entardecer,
a penúmbra entre as fachadas avança para a suspensão da lei do dia.

Ansiamos a aventura que nos iliba.
Da pose, do protocolo social, do laço cor de rosa.
O passeio deslumbra em antecipação,
a vida paralela pulsa com o sangue.


quarta-feira, 10 de junho de 2009

Anoitecer

Contra o desafio deste mês, de qual só me ficou a ideia do anoitecer - na cidade.
Afinal não é na cidade, mas nas ruas da cidade. Falhei no tema, mas a imagem fica na mesma. Porque as pessoas vão à rua vindo de casa, quando vão.

Surgiu -me este rabisco feito já há alguns anos.
À propósito daquele azul a preambular a noite desejada,
bem acompanhada por um encontro inesperado.


O azul do consolo.

sábado, 30 de maio de 2009

Restos e 'Há de ser'

As vezes perco-me no profuso de um processo...mas não desta. Encontro-me no crú do 'hà de ser', antes da fundição numa amálgama de camadas da imaginação. Por mais experiência que se tenha, cada saída de fornada é um nascimento, a cristalização de um processo, a definhação do imaginado perante o facto, o acto consumado.
A minha relação com recipientes é quase obsessiva... nunca os há em demasia.

O conteúdo é sempre um resto precioso de um processo acabado.


Por vezes, o lapso entre o fazer e o terer feito é como a frincha entre intenção e efeito.
Sempre sempre, a frincha divide a representação do real do real... (?)

O consolo está no fazer, manualmente, contra o contra-artesanal, com a matéria.

O conceito apenas anda descalço.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ícaro Anónimo


Ir e voltar, o reviver de todos os dias, imperceptível na sua suave corrosão?
O lento desbaste das arestas aguçadas, moagem demorada do juízo até caber...

...ou não.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Cool Blood

Nos últimos tempos assiste-se de novo a uma imagética, diluente do plano do suporte da imagem. Isto quer dizer: Não basta iludir o observador com trompe-l'oeil's de um espaço fingido, mas enquanto espaço sugerido, ele assume-se como plano pictórico.
Não há fingimento de outra coisa senão o da superfície única. A ilusão está no espaço que se finge plano e linear.
É a superfície que se dissimula: num espaço de múltiplos layers, no espaço urbano que nos assalta através de montras, placares, ecrãs, fachadas, telas de fachadas em reconstrução, vidros espelhantes, e passagens entre volumes.
A visão da cidade, a sua vivência, é um ecrã de computador com muitas janelas abertas, e com a simultaneidade assumida.
O percursor desta percepção foi sem dúvida para mim M.C.Escher, lithógrafo e desenhador holandês e que morreu em 1972. Todos conhecemos os seus trabalhos, sem saber já de onde vieram.
Fizeram o chão que pisamos: a escada em subida eterna quadrangular, a queda de água auto-alimentante, as mãos que se desenham mutuamente, as metamorfóses em tapetes padronizados - nos quais
até se inspirou o matemático Walter Penrose na elaboração dos padrões de enchimento de planos (infinitos)...ou foi vice-versa?
A sua constante interrogação da fronteira entre a realidade e a sua representação, das contradicções daí decorrentes, e da subtil pergunta em qual delas existimos, faz de nós actores - vagueando entre animal condicionado e ser pensante.
Em - quase - última análise, o que está em causa é a relação entre a imagem artificializada que projectamos de nós, e o âmago do nosso ser despido.

domingo, 15 de março de 2009

Existem novos posts no blog do lado
para complementar a visita.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Nú Ausente

















Como é ? As conversas são como viagens, que nos sentimos despidos e refrescados? Ficaram pelo caminho os disfarces convenientes? Será que nos excedemos, que a manhã seguinte nos acorda com tiros de aviso? Caímos em nós de novo, ou caíamos em nós na noite anterior e acordamos para o disfarce que se fez segunda pele? Vestimos a pose ou somos a pose? O que somos sem pose?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Rituais
























Não, não pertenço a nenhuma 'tribe', o 'trance' ainda tem outras conotações para mim, nem nunca fui muito aderente a não ser a título individual. Observo com alguma consternação a proliferação de técnicas e caminhos para o encontro com o 'eu', que proclamem de tirar de cada via tradicional apenas os aspectos positivos, não limitativos, adequados ao estilo de vida contemporâneo. Promovem o caminho adocicado, enjoativo, anti-sacrificante, e 'light' para o encontro da 'essência' em nós.
Há uns tempos fui visitante de uma feira da vida alternativa... Creio que as únicas pessoas descontraídas que observei, foram duas meninas lindíssimas logo à entrada a distribuir mini-embalagens gratuitas de uns cereais-fibras-adelgaçantes quaisquer que elas certamente não necessitavam ( nem perdiam nada porque não necessitavam de vender nada), e alguns poucos feirantes que se indulgavam mutuamente mediante Shiatsus e leituras de auras. De resto, a ânsia da venda da banha pairava no recinto como uma neblina espessa como chumbo. Fiquei triste, porque o caminho, sei, não é esse. Não vale pena brincar com bolas perfumadas, segurar cristais, adorar símbolos. Podemos tê-los todos só por nós, num ritual íntimo e alicerçado numa nossa história íntima e crescida, mas não há ninguém que me convença de símbolos alheios.

Eu até sou um gajo algo metafísico, acredito que a metafísica seja o motor da evolução humana. A inspiração que alterou o percurso do pensar foi sempre compreendida como divina e inexplicável. O acto da criação , no momento do impulso, foi sempre testemunhado como sublime e de indução alheia. Ser-se veículo matérico de uma ideia inspiradora é, é, é uma experiência de humilde aceitação de vontade alheia. A ideia não é propriedade nossa. Soa mal? Só para quem nunca experimentou. Ter o privilégio de ser mão executante do 'Algurém' é recompensador em sí.

Tanto mais me choca a desbaratação da experiência genuina. Essa, sempre, sempre, exige sacrifício. Reflexão, aprendizagem, ajustamentos, estudos, abdicações, dedicação. Posso não estar aí por opção. Desprezo tudo que seja 'light'. Prefiro não ir. Nem ingiro 'light'. Sabe a artificial, a negócio, a bolas perfumadas e cânticos de balela. Essas, de baleia, já são outra coisa. Não misturem coisas que já existem há séculos e milénios.
E já chega de sermões. Fico na minha, a planar por aí e observar sem querer.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

What Else ? What Blue ?
























Há uma altura em que se chega ao Nada, onde não se sabe onde mais ir sem perder. Então, talvez seja necessário perder tudo, que já pouco é - pensa-se - ... mas talvez até seja um estado do repleto, e tem-se tudo a perder.
Pouco depois chega-se à janela a olhar para fora e Nada cativa...