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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Olhar de Fora





Hoje voltei ao lugar onde não me espelhava há muito tempo. O meu passeio pelo holograma do mundo faz-me valorizar a história pessoal de quem encontro. A bagagem carregada por cada um raramente permeia as camadas das realidades sobrepostas. Tal como um plano só pode ser explicado olhando do espaço, pode-se explicar o espaço olhando de onde...? Tudo é mais transparente agora...

sábado, 19 de dezembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Risco

Este é o tempo do renascer,

Da redefinição das regras

Do risco da saída

Do perder por mil

Do ganhar um sorriso
sincero

De semear
e perder sem remorso


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A Visita


À noite, entre fogueira aberta no jardim e cozinha,
a casa fica transparente,

como a conversa entre amigos não vistos há 5 anos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Carta Perdida

Por tudo que queria dizer,
e onde as palavras seriam apenas a marcação de limites.
Por tudo que transcende a construção artificiosa.
Por tudo que eu te queria fazer sentir.

Pensava fazer uma diferença.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Miãouw

Quando confrontados com a simplicidade, não nos apercebemos do trabalho enorme que o antecede.
O visível é o conflito resolvido, preciosa paz.


Então, porque seria diferente nas relações?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Anoitecer III


Da minha casa apanho disto... eu sei que ele fazia anos nesse dia,
conheço-o de andar aí pelos bares e restaurantes a vender postais,
cantava nessa noite, celebrava o dia de anos aos berros,
de afirmação, de revolta, e só.
Eram duas ou três da manhã.

Este post poderia ser o último de uma trilogia sobre o tema 'Anoitecer nas ruas da cidade'. Aliás, é.
Decidí agora.

Porque o anoitecer é o limbo recheado de expectativas
e o berço de satisfação e desilusão.

domingo, 14 de junho de 2009

Anoitecer II


A ordem inverte-se ao entardecer,
a penúmbra entre as fachadas avança para a suspensão da lei do dia.

Ansiamos a aventura que nos iliba.
Da pose, do protocolo social, do laço cor de rosa.
O passeio deslumbra em antecipação,
a vida paralela pulsa com o sangue.


quarta-feira, 10 de junho de 2009

Anoitecer

Contra o desafio deste mês, de qual só me ficou a ideia do anoitecer - na cidade.
Afinal não é na cidade, mas nas ruas da cidade. Falhei no tema, mas a imagem fica na mesma. Porque as pessoas vão à rua vindo de casa, quando vão.

Surgiu -me este rabisco feito já há alguns anos.
À propósito daquele azul a preambular a noite desejada,
bem acompanhada por um encontro inesperado.


O azul do consolo.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Visitas



Fui mostrar as redondezas a uns amigos de visita...
Adoro o sítio, tão perto, tão fora, tão real...

Come-se bem

domingo, 5 de abril de 2009

sábado, 28 de março de 2009

Ó-Chá-Alfama

Tive a gratificante experiência, de poder elaborar uma pintura mural neste estabelecimento que inaugurou muito recentemente. Gratificante por ter nascido de um diálogo amigável e de atitudes convergentes, mantendo a autonomia de acção.
O resultado é um enlace entre funcionalidades e conceitos: a união do Oriente com a Alfama num ambiente ao que eu chamo de 'cosy-chill', na falta de melhor palavra.

Ponto de encontro ameno.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Escavar























Quanto mais poderosas as ferramentas, tanto mais entulho há de remover. Algumas obras são embargadas pelo caminho, outras são limpas por lágrimas. Umas mantêm a fachada, reforçada com vigas de ferro, contornam a casinha da avó, descuram a arqueologia. Por vezes, porém, uma obra cava um poço ao centro da terra em forma de funil, e no fundo espera o leão das formigas.
O fio de Ariadne pode ter a grossura de um braço estendido.
Arrisca-se tudo, e de olhos abertos. Depois se poderá dizer com orgulho: 'já estive.'

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Glória Soturna























Os andares de cima resguardam-se no silêncio soberano, enquanto que cá de baixo se vê as estruturas corroídas que as sustentam. Aqui passa-se a vida rés-de-chão e a fazer-de-conta, por vezes. Sabe bem, e merece-se. Ascende-se sobre as supostas ruínas. Canta-se de galo sobre um monte de esterco (conquistado).
Ostenta-se...marcas e exclusividades. É-se SNOB (Sine Nobilita ?). A água só pode ser de uma marca, o resto vem de arrasto.
Todos queremos subir andares, mas poucos querem subir de escada, sem que seja de escadaria.

Perdoem-me que estou amargurado, desiludido, desalentado com a natureza humana. Já tenho idade para dever saber melhor, mas insisto pensar que a desilusão é apenas um exercício de estilo, não demove da motivação primordial, nem define vencedor. Não considero ser um erro ter uma ilusão porque nos alenta durante o tempo necessário e útil. A arte está no saber largar. Larga-se no silêncio, sem peixerada, sem voz. Já está...com uma minúscula salvaguarda.


sábado, 13 de dezembro de 2008

Tascas e Tal

Não consigo definir este sítio... é da minha vizinhança, é sempre o mesmo, atrai e enfada ao mesmo tempo, com as suas personagens repetentes, sobretudo do anfitreão, mas também dos habituées que comprimentam e ajudam nas horas de aperto. Não há juizos, nem comentários, nem conversas profundas. Há o estar confortável no bairro. Não há exigências. Um leve-leve, com um pano de fundo sonoro bárbaro nos dias da noite alta. De resto é neón e lembranças da terra entre plásticos floridos. Sangria e Fátima.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Fórmica & Neon



















O que é que faz a casa? A comida é caseira 'rascóvi', a lista de meia dúzia de pratos, 80% sempre do mesmo, paredes de azulejos à metro e espanhóis 20 x 30, Nossa Senhora de Fátima na prateleira ao lado da bandeira e da foto da equipa, mais uma boneca sevilhana (???), um azulejo perdido solto e pendurado por um grampo com dizer popular, fotos da terra - primavera, verão, e inverno branco,...um retrato à óleo sobre tela junto da casa de banho - mulher-mistério, flores de nunca murchar atados aos candeeiros de parede sem nunca darem luz que se veja, e a luz esverdeada dos canudos a banhar friamente risos histéricos e cânticos de bota-a-baixo estudantís. Pelo meio, perdidos, na sua, uns 'come on's', sem conversa possível na balbúria das mesas corridas. Os locais ajudam nas noites mais mexidas, o Américo atentíssimo e numa boa, a suar, de camisa aberta, gerente do reino, silencioso e suave, pastor do rebanho em alvoroço, dirigente sorridente, estranhamente alienado e com contas feitas num segundo.

domingo, 28 de setembro de 2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Nú Ausente

















Como é ? As conversas são como viagens, que nos sentimos despidos e refrescados? Ficaram pelo caminho os disfarces convenientes? Será que nos excedemos, que a manhã seguinte nos acorda com tiros de aviso? Caímos em nós de novo, ou caíamos em nós na noite anterior e acordamos para o disfarce que se fez segunda pele? Vestimos a pose ou somos a pose? O que somos sem pose?